O INSS fechou junho de 2026 com a fila de perícia médica no menor patamar em quase três anos: cerca de 391,4 mil agendamentos, uma queda de 59% em relação ao pico de 1,23 milhão registrado em novembro de 2025. Por trás desse número está uma mudança operacional deliberada, mutirões quinzenais, contratação de peritos e uma fila nacional unificada, que já está alterando o ritmo com que os casos dos clientes de escritórios previdenciários avançam.
Mutirões a cada 15 dias: o motor da redução da fila
Desde o início de 2026, o INSS e o Ministério da Previdência Social passaram a realizar mutirões de atendimento em ritmo quinzenal, sempre aos finais de semana. O maior deles, em 30 e 31 de maio, ofereceu mais de 59 mil vagas para perícias médicas e avaliações sociais em quase todos os estados, com forte concentração no Nordeste. Um novo mutirão em 27 e 28 de junho somou mais 44 mil vagas. Os atendimentos contemplam auxílio por incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença), aposentadoria por incapacidade permanente e o BPC, justamente as três frentes que mais dependem de perícia médica ou avaliação social para destravar. O agendamento é feito pela central 135 ou pelo Meu INSS, e o segurado precisa levar documento com foto, CPF, número de protocolo ou benefício, além de laudos, exames e relatórios médicos atualizados.
500 novos peritos e a fila nacional unificada
A redução da fila não depende só dos mutirões pontuais. O INSS contratou 500 novos peritos médicos federais em 2026 e passou a adotar uma fila nacional para distribuir a demanda, em vez de represar agendamentos por agência ou região isoladamente. Na prática, um segurado numa cidade com poucos peritos disponíveis pode ser direcionado para uma vaga em outra localidade dentro do mesmo estado ou região, o que evita que áreas com menor estrutura acumulem atraso desproporcional. Essa mudança estrutural é o que sustenta a queda da fila além do efeito temporário de cada mutirão isolado.
A fila de perícia médica: 949 mil pedidos em agosto de 2023, pico de 1,23 milhão em novembro de 2025, e 391,4 mil ao fim de junho de 2026. O prazo médio entre o agendamento e a realização da perícia caiu para cerca de 30 dias em nível nacional, um patamar que não se via há anos.
Fila geral de requerimentos também recua
O efeito não fica restrito à perícia médica. A fila geral de requerimentos do INSS, que inclui todos os benefícios em análise, encerrou junho com 1,8 milhão de pedidos, o menor número dos últimos 21 meses. Desse total, 825 mil pedidos estão em análise há menos de 45 dias, dentro do prazo legal razoável, enquanto 555 mil aguardam resposta há mais tempo que isso. Em maio de 2026, o INSS bateu recorde histórico de concessões num único mês, 890 mil benefícios liberados, um volume que reflete diretamente o efeito somado dos mutirões, dos novos peritos e da fila nacional.
O que isso muda para o escritório previdenciário
Para quem atua com BPC e benefícios por incapacidade, a intensificação do atendimento do INSS abre uma janela concreta de ação. Vale acompanhar o calendário de mutirões, que se repete a cada 15 dias, e priorizar o agendamento de clientes que estão parados há mais tempo na fila, especialmente aqueles com mais de 45 dias de espera. Também vale reorientar a comunicação com o cliente: com prazos médios caindo, a expectativa de resposta mais rápida deixou de ser exceção, e o escritório que atualiza o cliente sobre esse novo ritmo evita a sensação de abandono que normalmente ocorre nos meses de espera. Por fim, prazos mais curtos entre protocolo e decisão significam ciclo de caixa mais rápido para honorários de êxito, o que pode influenciar diretamente o planejamento financeiro do escritório ao longo do segundo semestre de 2026.