Os dados do INSS mostram um salto de 93,72% nas concessões de salário-maternidade, de 48.888 benefícios em janeiro de 2025 para 94.708 em dezembro do mesmo ano. Entender as causas desse crescimento não é apenas curiosidade estatística: é a base para decidir como posicionar o escritório numa demanda que continua em expansão.
As três causas do crescimento
O crescimento de 93% tem três drivers principais que atuam simultaneamente. O primeiro é a derrubada da carência pelo STF, que abriu o benefício para um universo muito maior de seguradas, especialmente MEIs, autônomas e trabalhadoras rurais que antes eram informadas de que "não tinham direito". O segundo é o crescimento do MEI: o Brasil passou de 14 milhões para quase 17 milhões de microempreendedores individuais entre 2023 e 2025, e uma parcela relevante desse crescimento é de mulheres em idade fértil que antes trabalhavam informalmente. O terceiro é a disseminação de informação nas redes sociais: conteúdo sobre direitos previdenciários se tornou um dos segmentos de maior engajamento no Instagram e TikTok, e mulheres que nunca considerariam buscar um advogado passaram a procurar ativamente após ver um vídeo explicando seus direitos.
O impacto fiscal e suas consequências para o escritório
O crescimento de 93% representou um impacto fiscal estimado de R$ 12 bilhões extras no orçamento do INSS em 2026. Esse número chama atenção do governo e tem consequência prática para os escritórios: maior rigor documental nas análises. O INSS passou a cruzar mais sistematicamente a situação cadastral do MEI no momento do pedido, verificar se as guias DAS estão efetivamente quitadas (não apenas declaradas) e checar se o CNPJ está em situação regular. Pedidos que passavam com verificação superficial agora são indeferidos por inconsistências que antes não eram detectadas. O rigor maior não é necessariamente um problema: é um filtro que valoriza ainda mais o advogado que instrui corretamente.
A demanda por salário-maternidade não é conjuntural. O crescimento do MEI feminino, a decisão do STF e a maior consciência de direitos são tendências estruturais. Escritórios que hoje treinam sua equipe nessa área estão investindo em volume de casos por anos, não por meses.
Como aproveitar o crescimento sem comprometer a qualidade
O risco do crescimento acelerado de demanda é a queda na qualidade da instrução por sobrecarga. Escritórios que escalaram rápido demais no salário-maternidade relatam aumento na taxa de indeferimento, porque cada caso passou a receber menos atenção. O caminho sustentável é padronizar o processo antes de escalar: criar um checklist completo por tipo de segurada, definir um fluxo de triagem que identifique casos complexos antes do protocolo, e estabelecer um processo de controle de qualidade mínimo antes de cada envio. Com o processo padronizado, é possível atender mais casos sem aumentar proporcionalmente o tempo dedicado a cada um.